TÉCNICA ROTACIONAL (BANYSCHINO KOV)

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TÉCNICA ROTACIONAL (BANYSCHINO KOV)

Mensagem  titusonline em Dom Fev 03, 2008 4:34 pm

Segundo Labat e Pardo (2003), no ano de 1972, durante um encontro entre as selecções da Alemanha Ocidental e da URSS, na cidade de Angsburgo, o representante da equipa da URSS, Alexander Banyschino Kov ganhou a prova de lançamento do peso com um registo de 20,50 metros. Segundo o mesmo autor (op.cit.), as marcas foram brilhantes, conseguidas com uma forma de execução semelhante ao lançamento do disco. Na altura, estava-se perante uma nova técnica de impulsão do peso.
No ano de 1974, Alexander Baryschino Kov, voltou ao primeiro plano da actualidade desportiva ao bater o recorde da Europa com a marca de 21,70 metros, no dia 24 de Agosto.
Este recorde não durou muito tempo e, no dia 6 de Julho de 1976, o mesmo atleta soviético, durante um encontro entre a França e a URSS, no estádio de Colombes, em Paris, fixou o novo recorde mundial em 22,00 metros.
Labat e Pardo (2003) acrescentam ainda que desde os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, até aos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, ou seja, durante 20 anos, só três atletas masculinos, entre os doze primeiros da competição, impulsionaram o peso através da técnica rotacional. No caso das atletas femininas, nenhuma utilizou esta técnica. Este facto reflecte com clareza, a pouca introdução desta técnica até nos dias de hoje, face à técnica tradicional / linear.
Segundo o mesmo autor (op.cit.), “(…) entre os atletas que participaram no evento final de impulsão do peso com técnica rotacional na Olimpíada de Sydney 2000, temos: Aosi Harju da Finlândia, com medalha (de ouro) alcançando um registo de 22,16 metros; Jahn Godina, medalha de bronze, com um registo de 21,20 metros; Adams Nelson, com um registo de 20,88 metros; Andreu Blomm com um registo de 20,87 metros (…) os restantes atletas participaram com a técnica tradicional, incluindo o medalha de prata”.


DESCRIÇÃO TÉCNICA
Segundo Fernandes (FERNANDES, José Luís - Atletismo: arremessos. São Paulo: EPU: Ed. Da Universidade de São Paulo, 1978), na técnica de deslocamento em rotação o atleta deverá, partindo da posição inicial, executar uma pequena rotação a fim de somar esta energia produzida pelo movimento circular à energia final do implemento. Esta rotação é realizada de acordo com as condicionantes técnicas do lançamento do disco.
No final do movimento (lançamento e recuperação), o atleta encontra-se em posição semelhante à técnica de deslocamento de costas. Ao final do deslizamento, o atleta precisa virar o tronco e o quadril de forma enérgica, para que transmita a energia do movimento para o implemento.
Segundo Labat e Pardo (2003), para uma melhor compreensão da execução da técnica, esta pode ser analisada conforme as fases da técnica dorsal ou tradicional:
1. Posição de partida (ou posição inicial);
2. Início do movimento (ou corrida de impulsão);
3. Lançamento propriamente dito (ou esforço final com saída do engenho);
4. Recuperação (ou troca de apoio e travagem)

1. Posição de partida:
- O atleta encontra-se de costas, na área de impulsão, com o corpo erguido e relaxado;
- Pés paralelos entre si e separados a uma distância confortável para o atleta. A parte anterior de pé deve estar em contacto com o aro metálico do círculo. (alguns lançadores, colocam os pés afastados cerca de 25 cm do círculo.);
- A pega e a colocação do engenho é realizada como na técnica dorsal/tradicional (fig 9-1).

2. Início do movimento (ou posição inicial):
a) Movimentos preliminares:
A partir da posição inicial, o atleta sem perder a verticalidade relativa, move-se de maneira semelhante à de um lançador de disco, transladando de apoio sobre ambos os pés. Sobre o pé esquerdo, faz um movimento de rotação do corpo, de lado, com os eixos do quadril e costas paralelos entre si
- De seguida, o atleta continua o mesmo movimento, para a direita, deslocando o peso do corpo, do apoio anterior para o pé direito
- Durante os referidos movimentos preliminares, o braço esquerdo afasta-se do corpo, para fora, numa posição horizontal, tendo como referência o solo;
- Coincidindo com a rotação do atleta para a direita, este efectua uma flexão das pernas e uma inclinação do tronco para a frente, transferindo o peso do corpo quase exclusivamente para a perna direita (no caso de uma impulsão com a mão direita);
- Dá-se uma rotação do ombro direito, com a finalidade de realizar uma trajectória de aceleração o mais larga possível

Fase de apoio sobre o pé esquerdo
- Dá-se uma maior flexão do joelho esquerdo e um movimento para esse lado, conduzido pela rotação do pé esquerdo. Entretanto, o pé direito termina deixando o contacto com o solo
- Devido à torção dos eixos horizontais do quadril e costas, surge uma pré-tensão dos músculos dorsais e lombares, principalmente;
- Nesta fase, há que ter em atenção o excesso de rotação do tronco, o qual pode causar problemas de desequilíbrio;
- Mediante um impulso activo da perna direita, antes de deixar o contacto com o solo, inicia-se o movimento giratório. A rotação do “sistema atleta-engenho” tem na perna esquerda o seu ponto de apoio e de rotação (fig 9-5);
- A torção que se origina é o início da fase de aceleração inicial do peso;
- Perante este movimento contrapõe-se uma força centrifuga e o cotovelo do braço que segura o engenho eleva-se à altura do ombro, apoiando o peso mais força contra o pescoço, ao mesmo tempo que o braço esquerdo se afasta do corpo, semi-flectido, contribuindo para a manutenção do equilíbrio durante a rotação para a fase de saída. O braço esquerdo tem como principal função fixar o ritmo do movimento;
- O pé esquerdo continua a rotação até completar um deslocamento de praticamente 180º (fig 9-6);
- A perna direita é esticada quase até ao máximo, tendo como finalidade contribuir para o equilíbrio do corpo, fazendo o contrapeso do sistema giratório (fig 9- 7);
- O tronco encontra-se flectido à frente, tal como no lançamento do disco e deve estar inclinado pata a esquerda, para que seja possível efectuar uma rotação baixa.

b) Fase de Superação
- Corresponde ao deslizamento ou salto rasante da técnica dorsal/linear e é produzido por um forte impulso da perna esquerda e uma projecção da perna direita para a frente. Ambos os pés se encontram no ar, por um espaço de tempo muito pequeno (fig 9-Cool.

c) Fase de apoio sobre o pé direito
- Esta fase começa com a “aterragem” do pé direito no centro do círculo e termina com o apoio do pé esquerdo, sendo que este movimento finaliza a primeira fase de aceleração
- O apoio do pé é feito sobre o metatarso com o calcanhar elevado
- A perna esquerda, depois do impulso, permanece flectida. Ao mesmo tempo o braço esquerdo é flectido e por sua vez coloca-se à frente do corpo

3. Lançamento propriamente dito (ou esforço final com saída do engenho);
- Na realidade, a posição de impulsão desta técnica só se diferencia da técnica clássica na torção entre os eixos do quadril e dos ombros que é consideravelmente maior que na técnica linear;
- Outra diferença essencial entre as duas técnicas é que a maioria dos impulsionadores com voltas, efectuam o final, desde uma base estreita dos apoios, comparada com os lançadores de disco;
- No momento final, o atleta deve girar mais a cabeça, mantendo esta posição até que o peso tenha deixado a mão, assegurando desta forma, a participação dos músculos mais potentes na acção de impulsão
- Coincidindo com o memento em que o peso abandona a mão, os dois pés devem deixar o solo e os joelhos encontram-se na sua extensa completa. O cotovelo do braço que efectua a impulsão deve estar afastado do tronco

4. Recuperação (ou troca de apoio e travagem)
- Ao executar a recuperação ou troca de apoios, o atleta efectua um movimento (ascensão rotacional) com a cabeça bem para trás e preparado para voltar a um só apoio, tendo contacto com o pé direito, virado 90º para a direcção de lançamento, mas não sobre a ponta do pé, nem com toda a planta (calcanhar muito próximo do solo) o qual irá ajudar o equilíbrio e a desaceleração
- O corpo estará estendido, com a perna de apoio flectida, o ombro e o braço direito estão altos, enquanto que a perna esquerda e o braço desse lado encontram-se estendidos para a parte posterior do círculo

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